herbarium

Luke Howard deu um nome às nuvens. A cada forma.

Goethe começou um diário em que apontava alterações meteorológicas, seguindo o catálogo de Howard. Não conseguiu ser suficientemente científico, então a recolha passou a ser poesia.

Herbarium é um catálogo de plantas digitalizadas: ervas daninhas, folhas caídas, flores de canteiros camarários ou de condomínios fechados.

Não sei os seus nomes e sou leiga em latim. Mas mesmo assim, armo-me em botânico e num exercício diário recolho, catalogo e arquivo. Algumas são arrancadas, outras são só colhidas de passeios e caminhos.

Nesta iniciação ao estudo das plantas, alongo formas e invento nomes, associando cada recolha a uma pessoa ou lugar. O scanner surge-me, neste momento, como a ferramenta de captura da realidade com mais resolução. A forma como as plantas são varridas pela luz sugerem a sua distorção.

As recolhas são bastante citadinas. São partes de ecossistemas isolados: de caixas de terra desenraizadas, rodeadas de betão e alcatrão.

Apresenta-se assim um arquivo eterno de plantas comuns. Um herbário comum.